RELATO PESSOAL MEUS TEMPOS DE CRIANÇA Recordo-me sempre dos meus tempos de menino, quando meu bisavô colocava-me em seu colo para contar as histórias do meu povo. Embora entendesse pouco da narrativa, ficava deslumbrado com a intensidade de sua rouca voz amaciada pelo tempo. É que parecia que meu velho avô se transfigurava ao dizer o indizível retratado nos contos que narrava com tamanha convicção. Era como se visse o invisível... Contava as histórias que deram origem ao nosso povo; os mitos primordiais que estruturaram a visão do universo habitado pela “minha gente”. Ficava impressionado com o caráter atemporal da narrativa: sentávamos no terreiro em frente às nossas casas e, muitas vezes, só levantávamos quando o sol se apresentava para nos saudar. Quantas vezes dormitei nessa vigília mítica! Quantas vezes vaguei em meio às estrelas, embalado ao som da música que se ouvia na narração do velho avô. Quantas vezes fui arrebatado para os ...
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